LIXO – A RIQUEZA POUCO EXPLORADA

LIXO – A RIQUEZA POUCO EXPLORADA

– O descaso com o lixo

Um dos problemas da atualidade é o lixo. O consumo desenfreado da população e o descarte do lixo inadequado gerado pelos mesmos causa danos gravíssimos tanto para os cidadãos como para o meio ambiente e os animais existentes no ecossistema.

Segundo o dicionário Aurélio de Português, a palavra LIXO tem como definição: “Qualquer matéria ou coisa que repugna por estar suja ou que se deita fora por não ter utilidade. Resíduo resultante de atividades domésticas, comerciais, industriais, etc.”

Todavia, o lixo que descartamos diariamente, de fato, não tem mais utilidade?

Dizer que o lixo não tem utilidade é o mesmo que ignorar o processo de reciclagem que visa reutilizar as partes dos resíduos para reintroduzi-los no ciclo de produção de que provêm.

O descarte do lixo inadequado, além de provocar danos gravíssimos aos cidadãos, ao meio ambiente e aos animais ali existentes, gera um desperdício muito alto para o país que deixa de reaproveitar os resíduos e retira cada vez mais matéria prima da natureza para atender o consumo desfreado da população.

No Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Amostras a Domicilio (Pnad), realizada em 2015, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 61,1 milhões de residências obtinham o serviço de coleta de lixo, número que representa 89,8% do total de unidades domiciliares do país. De acordo com a pesquisa, “a região Sudeste registrou a maior proporção de domicílios com lixo coletado (96,4%) e o Norte tem a menor (78,6%), seguida pelo Nordeste (79,1%).”

A falta de coleta de lixo em determinados municípios de regiões brasileiras é algo imperdoável, pois não tendo um serviço de coleta os cidadãos descartam seus lixos em qualquer lugar, contaminando o solo, atraindo bichos transmissores de doenças, ou então queimando os, gerando a liberação de gases tóxicos e um possível risco de incêndio florestal, além de também destruir o solo e o habitat dos animais.

A população tem o direito da coleta de lixo uma vez que contribui através do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Diante do Código Tributário Nacional – CTN (Lei 5.172, de 25.10.1966), uma parte do valor arrecadado do IPTU vai para o recolhimento de lixo que varia de acordo com o tamanho do imóvel e o lugar onde ele fica.

A população também tem grande responsabilidade no momento do descarte do lixo, independente se há coleta de lixo no bairro em que vive. Desde a quantidade de produtos que consome, na separação dos lixos (recicláveis, orgânicos e rejeito) e ao “fim” que se destina. É preciso conscientização e atitudes.

Não basta apenas ter o serviço de coleta de lixo nos municípios, é preciso saber quais são os destinos dos lixos, se realmente são realizados os processos de reciclagem.

Conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apenas “13% dos resíduos sólidos urbanos no país vão para reciclagem.” Ainda segundo as pesquisas, “entre 1994 e 2008, o índice de reciclagem de latas de alumínio variou de 56% para 91,5%, o de papel de 37% para 43,7%, o de vidro de 33% para 47%, o de embalagens PET de 18% para 54,8%, o de lata de aço de 23% para 43,5%, e o de embalagem longa-vida de 10% em 1999 para 26,6% em 2008.”

“Mesmo com as dificuldades enfrentadas pelas instituições e pelos catadores no Brasil, alguns avanços foram identificados nos últimos anos, ao menos em alguns materiais específicos, com maior valor de mercado”, destaca o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Sandro Pereira Silva.

O tema lixo é um problema atual muito complexo. Mesmo com a lei (12.305/10) Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) aprovada em 2010, cujo objetivo era por o fim dos lixões até 2014, ainda não foi concretizada. Conforme a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe), há cerca de 3 mil lixões ou aterros irregulares impactando na qualidade de vida do planeta Terra.

FONTES

http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2016/11/saneamento-e-coleta-de-lixo-avancam-segundo-pnad

http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/eleicoes/2012/noticia/2012/08/descarte-e-coleta-de-lixo-sao-responsabilidade-das-prefeituras.html

http://www.mma.gov.br/política-de-resíduos-sólidosh

ttp://www.portaltributario.com.br/tributario/

http://www.ipea.gov.br/portal/

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/MEIO-AMBIENTE/

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Cooperativa de garimpeiros no Amapá era fachada de organização criminosa, diz MPF

Fiscalização do Ministério do Trabalho encontrou trabalho escravo no garimpo ilegal no Amapá (Foto: Divulgação – ASCOM/MT)

 

O Ministério Público Federal no Amapá afirma que a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros do Lourenço (Coogal), em Calçoene, a 366 quilômetros de Macapá (AP), era usada como fachada para encobrir uma organização criminosa, formada por empresários e servidores públicos, que exploravam de forma predatória o ouro na região. O esquema foi revelado na semana passada, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Minamata.

A operação, que resgatou 16 trabalhadores em condições análogas à escravidão, contou com a participação de 180 policiais federais, nos estados do Amapá, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Por decisão cautelar da Justiça Federal no Oiapoque, onze pessoas foram presas, sendo seis preventivas e cinco temporárias, e outras oito coercitivas, quando são levadas pela política para prestar depoimentos na delegacia.

Foram cumpridos ainda 30 mandados de busca e apreensão. Cerca de R$ 113 milhões em bens móveis e imóveis foram bloqueados. O nome da operação é uma referência a cidade japonesa de Minamata, da qual a população sofreu as consequências da contaminação de mercúrio derramado nos rios, nas décadas de 1950 e 1960.

“Para o Ministério Público Federal, é evidente que é uma cooperativa de fachada, que serve exclusivamente para fins espúrios e ilícitos, tanto na exploração do trabalho dos colaboradores ou não como na forma do ganho do trabalho dessas pessoas”, afirma a procuradora regional da República Adriana Scordamaglia.

Segundo a procuradora, que coordena Grupo de Apoio ao Combate à Escravidão Contemporânea do MPF e acompanhou na quinta-feira (30/11) o resgate de trabalhadores em Lourenço, distrito de Calçoene, as investigações constataram diversos outros crimes, como apropriação de bens da União, lavagem de dinheiro e contra a administração da Justiça.

“É uma investigação muito complexa que envolve uma organização criminosa que atual aqui há muito tempo com as mesmas pessoas e nos mesmos lugares e impunes”, destaca.

Segundo as investigações, Distribuidores de Títulos e Valores Mobiliários (DTVMs), empresas que têm autorização para vender ouro na Bolsa de Valores, seriam responsáveis por atrair garimpeiros com o pagamento de rancho e equipamentos, para que eles vendessem o ouro diretamente a elas, sem a participação da cooperativa. As investigações correm em segredo de Justiça. As atividades das empresas acusadas de participar do esquema foram suspensas, a pedido do MPF.

“Havia uma relação espúria e havia uma relação de emprego de servidão mesmo entre esses trabalhadores, a cooperativa que era o intermediário dos grandes DTVMs, que são dos Distribuidores de Títulos de Valores  Mobiliários, que são as empresas que lucram com essa comercialização”, afirmou durante a entrevista o procurador da República Antônio Diniz.

 

Ouro, tantalita e degradação

Garimpo ilegal de outro no Amapá (Foto: Divulgação – ASCOM/Ministério do Trabalho)

A Coogal tem duas concessões, para ouro e tantalita, mas foi encontrada degradação da floresta fora dessas áreas licenciadas. As investigações constataram que trabalhadores eram obrigados a dormir em barracas de lona, sem um banheiro decente para usarem, fazendo a comida em fogões improvisados, sem proteção contra predadores da floresta. O trabalho é arriscado, escavar com jatos de água paredões de barro que a qualquer momento podem desabar.

Ao longo do último ano, quatro pessoas morreram no garimpo do Lourenço, segundo informações do Ministério do Trabalho. A morte mais recente foi em um local que estava interditado justamente por falta de segurança aos trabalhadores. Em dez anos, foram 24 mortes.

“Eles têm duas concessões regulares, mas existem normas a serem cumpridas e o que a gente viu em fiscalizações de 2015 e 2016 e agora é esse descumprimento quase que total dessas normas”, afirmou o coordenador de Ordenamento da Extração Mineral do DNPM, João da Gomea Fidelis da Silva. De acordo com ele, um trabalhador morreu este ano justamente em uma área que estava interditada pelo DNPM.

A operação reuniu Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego e Agência Nacional de Mineração, que substitui o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), além da Polícia Rodoviária Federal e Ibama.

Desde que flagrou irregularidades no garimpo há dois anos, o Ministério do Trabalho tem fiscalizado as condições de trabalho no local. No ano passado, novamente foram encontradas irregularidades. Nas contas dos auditores do Ministério do Trabalho, havia no garimpo cerca de 100 trabalhadores em conduções análogas à escravidão. A ausência deles no barranco indicou que a notícia da operação chegou por lá antes da polícia.

O número de trabalhadores encontrados na quinta-feira passada (30/11) foi considerado baixo pelos auditores do Trabalho, que já conhecem bem a situação vivida por lá. “Alguém avisou que estávamos indo”, afirmou auditora fiscal do Trabalho, Jamile Virgínio, deixando claro que embora se tenha certeza do vazamento da operação, ainda não conhecia os responsáveis por alertar o garimpo.

Além do desmatamento, a investigação indica que para aumentar a produção de outro, mercúrio e cianeto tenham sido usados de forma indiscriminada, contaminando rios na área. No domingo, o Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Amapá (Imap) anunciou uma multa de R$ 10 milhões à Coogal, por descumprimento de condicionantes ambientais. A cooperativa estaria despejando mercúrio nos igarapés Regina e Cassiporé, na região de Lourenço.

O Ministério do Trabalho informou que a cooperativa e todas as frentes de trabalho serão interditadas pela fiscalização, que vai fazer o resgate de todos os trabalhadores na área do garimpo.  O MTE informou ainda vai notificar a cooperativa sobre as irregularidades e também identificar os empregadores, para que eles indenizem os trabalhadores resgatados.

O Ministério Público Federal disse que os trabalhadores identificados em situação de vulnerabilidade devem receber dos órgãos competentes seguro desemprego e ter acesso a medidas sociais. Medidas para prevenir casos semelhantes vão ser adotadas por cada órgão integrante da força-tarefa que levou à deflagração da operação Minamata. O MPF pretende acionar órgãos federais e estaduais para promover um plano de recuperação ambiental do garimpo do Lourenço.

 

O que diz a defesa dos acusados?

Fiscalização de trabalho análogo a escravidão no estado de Macapá. (Foto ASCOM/ Ministério do Trabalho)

Entre os presos está o promotor aposentado Moisés Rivaldo, secretário municipal de Educação de Macapá. No depoimento que prestou nesta segunda-feira, afirmou ter pago R$ 800 mil por uma mina de ouro à Coogal, conforme informação divulgada pelo jornalista Nefes Sales, de Macapá (AP).

O promotor é acusado de investir dinheiro e manter pessoas trabalhando em condições análogas à escravidão no garimpo. A defesa nega as acusações e afirma que o promotor aposentado arrendou uma área de garimpo que está desativada, aguardando a tramitação do processo de liberação no DNPM.

O advogado Marcelo Pereira, responsável pela defesa de quatro acusados (Gilson Colares Cohen, José Ribamar Pereira, José Tássio Martins Pereira e Cláudio Henrique da Silva Ribeiro), além de das empresas OM/DVPM e Dillon/DVPM, que compram o ouro produzido no garimpo, afirma que seus clientes agiam de boa-fé, aceitando o produto extraído de áreas licenciadas pelo DNPM. Para ele, a responsabilidade é dos órgãos de fiscalização do governo.

“Foi uma grande surpresa para esse grupo de pessoas serem inquiridas como de uma organização de bandidos, quando na verdade, os órgãos estatais é que permaneciam inertes na obrigação de fiscalizar ou até cancelar os títulos de lavra”, afirmou a advogado por telefone.

Via:Amazônia  Real

Editor: Vandré Fonseca

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Prefeito que defende mineradora Belo Sun ameaça professores em seminário da UFPA

Dirceu Biancardi (PSDB) nega as ameaças, mas o caso será investigado pela Polícia Federal (Foto Reprodução)

Belém (PA) – O Ministério Público Federal do Pará, através da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, pediu que a Polícia Federal investigue atos de violência liderados pelo prefeito do município de Senador José Porfírio, Dirceu Biancardi (PSDB) contra professores e estudantes que participavam do seminário ”Encontro Veias abertas da Volta Grande Xingu“, na quarta-feira (29), no auditório da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém. O seminário, que foi cancelado por causa de ameaças, tinha objetivo de analisar os impactos socioambientais da exploração de ouro da mineradora canadense Belo Sun.

Defensor da mineradora, Biancardi, de chapéu de palha na cabeça como se fosse um “vaqueiro” e acompanhado de um grupo de 40 pessoas, chegou ao campus da UFPA por volta das 14h30h para participar do seminário. O evento era aberto ao público. Mas, segundo relatos, o prefeito e o grupo entraram gritando no auditório, onde tinha cerca de 20 pessoas, entre professores e estudantes. O grupo do prefeito levava faixas e cartazes com frases que diziam: “Não Queremos Ongs Falando Por Nós” e “Queremos emprego e desenvolvimento. E tudo isso é Belo Sun”.

Um funcionário da mineradora Belo Sun foi visto durante os protestos do prefeito no seminário. O deputado estadual Fernando Coimbra (PSD) também estava no local. O auditório foi trancado pelo grupo liderado por Dirceu Biancardi, o que deixou professores e alunos retidos sob os ataques verbais.

Prefeito e deputado Fernando Coimbra, de paletó, acompanhando o grupo de 40 pessoas no protesto (Foto Reprodução)

 

Agredida verbalmente pelo prefeito Dirceu Biancardi, a coordenadora do seminário, professora-doutora Rosa Acevedo Marin, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea), prestou queixa à Polícia Federal (PF) por ameaça. A universidade pediu garantia de segurança à professora e aos estudantes, a maioria de doutorado, que se sentiram também ameaçados.

“Os atos de violência foram organizados e liderados, conforme informações iniciais, pelo prefeito de Senador José Porfírio. Tais atos tinham o objetivo claro de cercear e impedir a manifestação e publicização de estudos e análises sobre os impactos socioambientais da exploração mineral na Região do Xingu”, disse a UFPA em nota de repúdio à violência do prefeito contra os professores, alunos e participantes do seminário no auditório do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA).

A instituição disse ainda na nota de repúdio “que promove a defesa institucional e solidária à professora Rosa Acevedo e irrestrita à autonomia da universidade brasileira e a luta por uma sociedade democrática, inclusiva e plural.”

 

Coação articulada

Biancardi filma com o celular professores e alunos da UFPA (Foto: Reprodução)

Em entrevista à agência Amazônia Real, a professora Rosa Acevedo Marin contou que as ameaças que ela e os pesquisadores sofreram não são de agora. Ela disse que sua preocupação maior é com relação aos povos tradicionais do Rio Xingu e os possíveis impactos que essas populações podem vir a sofrer com a exploração do ouro.

“Esse esquema de coação é muito bem articulado. O evento era acadêmico, não tinha necessidade de notificarmos alguém da prefeitura. Em outro evento que realizamos na Universidade Estadual do Pará (UEPA) havia pessoas filmando todos que estavam no local e nesse da UFPA também, o que nos faz acreditar que eles podem estar marcando determinadas pessoas para posteriormente ameaçá-las”, contou.

Rosa disse que, no dia 23 de novembro, pesquisadores da UFPA tentaram apresentar um estudo sobre o impacto da mineradora na sede do município de Senador José Porfírio, ao lado de integrantes do Movimento Xingu Vivo para Sempre. Na ocasião, eles também foram intimidados pelo prefeito Dirceu Biancardi.

“Eles podem nos ameaçar, mas vamos continuar realizando o trabalho. Se porventura a mineração iniciar nada ficará no município. Em 12 anos – que é o tempo que eles têm para realizar a exploração – não será feito nada pela população. Nada vai ficar para quem mora lá e os prejuízos serão incalculáveis para as populações tradicionais e o meio ambiente”, lamenta.

A professora afirma que são muitos os prejuízos, mas a limpeza do ouro libera resíduos tóxicos que em contato com o rio matariam inúmeras espécies da biodiversidade. “Precisamos refletir sobre os impactos da extração mineral e os prejuízos que ela irá acarretar”, defende Rosa Acevedo Marin.

A doutoranda da UFPA, Brenda Taketa, que estava participando do seminário” Encontro Veias abertas da Volta Grande Xingu“, diz que foi intimidada pelo prefeito Dirceu Biancardi (PSDB). “Éramos ao todo dez acadêmicos e não tínhamos como desenvolver o diálogo naquela situação. A professora Rosa teve a iniciativa de cancelar o evento, mas o prefeito exigiu que uma sessão fosse aberta para que ele pudesse falar”, afirma.

Segundo ela, frases como “vamos dar na cara daquelas meninas” foram proferidas por quem acompanhava o prefeito. “Quando a defensora pública do estado do Pará, Andrea Barreto, tentou mediar a situação, o Biancardi tomou a frente da mesa e não deixou mais ninguém falar “, conta.

Brenda afirma ainda que todas as pessoas que acompanhavam o prefeito “estavam muito enervados” e que somente após o pronunciamento da defensora foi que elas se acalmaram. “Não deixaram a professora Rosa falar e o pior é que fomos impedidos de deixar o auditório, porque dois homens estavam de segurança na porta. Foi uma situação horrível. Fomos intimidados e agora que fomos expostos tememos pela nossa segurança”, diz a estudante.

 

O que diz Belo Sun?

Ato de violência em seminário ambiental sobre mineradora na UFPA (Foto Reprodução)

Procurada pela reportagem, a mineradora Belo Sun confirmou que havia um funcionário da empresa presente no seminário da UFPA, que foi interrompido por causa do prefeito Dirceu Biancardi. A mineradora explicou que é prática comum das empresas e organizações sociais registrar eventos que envolvam seus empreendimentos, ações ou relações com comunidades, entidades e órgãos interessados.

“A Belo Sun Mineração costuma gravar eventos que discutem questões relacionadas à empresa para fins de arquivo, melhoria continua do empreendimento e documentação”, disse a mineradora à Amazônia Real, que não se manifestou sobre as agressões do prefeito aos professores e estudantes.

Localizado no sudoeste do Pará, o município de Senador José Porfírio, do qual o tucano Dirceu Biancardi é prefeito reeleito em 2016, tem cerca de 12 mil habitantes. Com a exploração de ouro da mineradora Belo Sun, o município receberá cerca de R$ 5 milhões de royalties por ano.

A empresa é subsidiária da Belo Sun Mining Corp, com sede no Canadá e tem ações listadas na Bolsa de Valores de Toronto, a TSX (Toronto Securities Exchange).

Belo Sun tem a possibilidade de extrair pelos próximos 12 anos cerca de 150 mil toneladas de ouro. Para ser ter uma ideia da dimensão do empreendimento, Serra Pelada, em Curionópolis, sul do Pará, extraiu 30 mil toneladas de ouro em 10 anos.

Mas pesquisas realizadas pela UFPA apontam que a mineração de Belo Sun trará um alto risco de impactos socioambientais à bacia do Rio Xingu, a exemplo do que aconteceu com a hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira.

À reportagem, Belo Sun Mineração disse que protocolou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) do Projeto Volta Grande na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), em 2012. Segundo a empresa, o empreendimento foi considerado econômico, social e ambientalmente viável. “O Conselho Estadual de Meio Ambiente (Coema) aprovou a concessão de Licença Prévia (LP) ao Projeto Volta Grande, emitida em fevereiro de 2014. A empresa já atendeu todas as condicionantes constantes na LP. A Licença de Instalação (LI) foi emitida em fevereiro deste ano e possui 71 condicionantes que envolvem questões ambientais e sociais”, diz Belo Sun.

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que tem dois processos judiciais contra a mineradora Belo Sun e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) por irregularidades no licenciamento. Atualmente, a licença da instalação concedida pelo governo do Pará à empresa canadense está suspensa por ordem do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

 

Biancardi nega ameaças

Prefeito Biancardi foi reeleito em 2016 (Foto Reprodução Facebook)

Em entrevista à Amazônia Real, o prefeito Dirceu Biancardi (PSBD) negou que tenha ameaçado os professores e os estudantes do seminário. Ele disse que foi ao local para participar das discussões. “Entramos e nem tinha começado ainda. Chegamos lá e decidiram cancelar o seminário. A gente queria falar, participar da mesa. O seminário dizia que as pessoas tinham direito de se inscrever”, afirmou.

Sobre os relatos de ameaças e atos de truculência, o prefeito disse que “são mentiras”. “Isso não procede, não é nosso perfil. Somos do interior, mas não somos animais. O que eles queriam fazer era um seminário sem a nossa presença e ainda distorceram as coisas”.

Dirceu Biancardi disse que é a favor da mineradora Belo Sun porque a empresa vai ajudar a população e prometeu contratar 30% dos moradores do município, dos 2.300 de empregos que devem ser gerados pelo empreendimento. Ele também espera que o município seja beneficiado com pagamento de impostos e royalties. O prefeito estima que a Belo Sun vai pagar anualmente além de um royalty anual de R$ 5 milhões ao município, quando estiver operando, R$ 39 milhões de impostos.

“A Belo Sun vai cumprir 78 condicionantes. Vai gerar emprego. Temos documento assinado por eles. Emprego de gari a engenheiro. Se não temos pessoas qualificadas, eles vão dar qualificação para nós. R$ 6 milhões não é muito, mas para quem está no deserto, um copo de água ajuda muito”, afirmou.

O prefeito disse ainda que os benefícios financeiros vão ajudar a população a “sair da pobreza”.

“Temos muitos problemas sociais que só se resolvem com recurso financeiro. A prefeitura não explora ouro, nem riqueza. Ela vive de impostos. Nosso município não recebe nada de ISS. A empresa vai contribuir para resolver os problemas. Não vejo outra alternativa de consertar as estradas, de fazer pontes, melhorar a educação e a saúde”, disse.

Indagado se as ações de atenção à população citadas devem ser tarefa do poder Executivo, Biancardi afirmou que a prefeitura de Senador José Porfírio tem um orçamento pequeno. “A prefeitura tem R$ 560 mil anualmente para atender uma população de 22 mil pessoas [12 mil, segundo o IBGE], o que é insuficiente para atender a todos”, disse ele.

Questionado a respeito dos riscos ambientais trazidos pela mineração, ele disse que a prefeitura de Senador José Porfírio não vai permitir que isto aconteça.

“Pode ter certeza que isso não vai acontecer. A empresa terá que cumprir condicionantes, se não corre o risco de não receber a Licença de Operação. O que não pode é o povo morrer na pobreza vivendo em cima da riqueza”, disse.

Entre os potenciais empregados que devem ser contratados pela Belo Sun, ele cita os garimpeiros que há 40 anos exploram ouro na região.

“O rejeito está no rio Xingu, está insustentável. Eles [garimpeiros] continuam pobres, só com mazelas. Com a mineradora, os garimpeiros serão beneficiados, se quiser trabalhar na mineradora, vai ter vaga, podem ter carteira assinada. Tem garimpeiro que sabe mexer com informática, tem garimpeiro operador de máquina. Vai depender de cada um. Tem garimpeiro que quer investir em agricultura”, afirmou.

Dirceu Biancardi é agricultor com o ensino médio completo. Ele foi eleito prefeito de Senador José Porfírio em 2012. Em 2016 ganhou a reeleição com 4.138 votos. Segundo a Justiça eleitoral, na segunda eleição seu patrimônio aumentou 102,79% ao declarar uma renda de R$ 145.000 em terrenos no município de Altamira, também no sudoeste do Pará, sua terra natal.

 

Relatos de agressão

Nesta quinta-feira (30), alunos da UFPA que presenciaram os ataques do prefeito Dirceu Biancardi ainda lembravam dos momentos de tensão. Alguns demostraram sua indignação com o ato de violência no seminário na UFPA.

Sabrina Mesquita do Nascimento, que fez doutorado em Sociologia pela Universidade Paris 13 e em Desenvolvimento Socioambiental pelo NAEA/UFPA, contou à Amazônia Real que quando o prefeito e o grupo de pessoas entraram no auditório a porta foi trancada por eles. “Eles mantiveram todos nós como prisioneiros, nos obrigando a não cancelar o evento”, lembra.

Para a doutoranda, a postura do prefeito fere a premissa do diálogo dentro da universidade. “A universidade sempre garante a todos o direito à participação em seus debates e pesquisas. A presença do prefeito e seus apoiadores não constituiria nenhum problema em si. No entanto a forma violenta como o prefeito impôs sua fala precisa ser questionada, porque ela teve a clara intenção de coagir os presentes e intimidar os debates que seriam realizados. Sua atitude fere a universidade e pesquisadores que produzem pesquisas críticas que informam à sociedade todos os problemas políticos, sociais e ambientais que os grandes projetos provocam na Amazônia”, finaliza.

Outra acadêmica que ficou indignada com a situação foi a doutora Ana Prado, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea) da UFPA. Apesar de estar na sala ao lado do evento, ela afirma que o evento, de fato, era aberto ao público, e a presença do prefeito não era o problema. “Ele assim como qualquer pessoa da sociedade poderia participar. Logo, não é essa a questão e também não havia necessidade de um convite formal. A presença dele não foi o problema, mas sim a forma como ele decidiu conduzir o evento”.

Ana Prado afirma que o ato de trancar o auditório e impedir os participantes de ir e vir só reforçam a arbitrariedade e truculência do gestor. “A pesquisa acadêmica precisa ser independente. Não temos e não devemos precisar da aprovação ou presença de gestores para validar nossas pesquisas. Isso não pode acontecer dentro da Universidade. O prefeito poderia ter participado do evento, mas ele estava lá com o objetivo de impedir que ele acontecesse”, reforça.

Segundo Ana, o prefeito Biancardi tomou conta da mesa e alguns dos integrantes que o acompanharam quase foram agredidos fisicamente. “O interesse econômico é muito grande naquela região e as pessoas que foram não estavam falando por si, elas eram vítimas do populismo, estavam lá apenas para legitimar a fala do prefeito”, disse.

Populações tradicionais serão impactadas pela empresa Belo Sun, em Altamira, no Pará (Foto: Todd Southgate/2016)

Créditos: Amazônia Real

Edição:  Catarina Barbosa

 

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Ocupação Do MST No Paraná Ganha Prêmio Por Recuperação Da Mata Atlântica

“Mato para nós não é problema, é solução” brinca o agricultor Jonas Souza. Ele integra uma das 20 famílias do acampamento José Lutzenberger, no município de Antonina. O acampamento ocupa parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, no litoral norte do Paraná, e desde 2003 concilia a produção de alimentos livres de agrotóxicos – de couve à café – com a recuperação da Mata Atlântica. Por isso, a comunidade foi contemplada no prêmio Juliana Santilli, na categoria ampliação e conservação da agrobiodiversidade. A premiação acontecerá em 21 de novembro, em Brasília, e envolve a entrega de troféu, de selo de reconhecimento e apoio financeiro para intercâmbio de experiências.

As famílias comemoraram o prêmio como uma forma de dar visibilidade ao projeto. “Estamos mostrando que nós ocupamos uma área totalmente degradada e estamos recuperando a mata e ainda produzindo alimento sem veneno. Isso mostra que a reforma agrária é um projeto viável, não apenas na questão social, mas também na ambiental”, comenta Jonas, que também é um dos coordenadores do acampamento.

Cerca de 90% do que é produzido pelos agricultores é destinado para as escolas da região através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Jonas explica que as famílias trabalham em cerca de 10% da área total, que compreende 240 hectares. “Para trabalhar no sistema agroflorestal não precisa de grandes áreas”, explica. Ele comenta que a perspectiva é ocupar cada vez mais o espaço com a produção.

Apesar de bem estruturado, com casas de alvenaria e energia elétrica, o acampamento ainda está em processo de assentamento. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) está negociando a compra da terra com os antigos proprietários.

Recuperação ambiental

“Conheci a área antes dos fazendeiros usarem para criar boi. Era uma área preservada, o rio tinha muito peixe e a comunidade plantava para subsistência”, lembra Jonas. Ele conta que as famílias não tinham o documento de posse da terra e os fazendeiros começaram a cerca e ocupar o território. “Por isso começou a luta pela terra e decidimos acampar”, completa o agricultor.

Nos primeiros três anos, as famílias resistiram ao desejo de desistir da área. O rio estava poluído, o solo rebaixado e encharcado, e o pasto dominava a paisagem. Se no início tiveram dificuldade para produzir alimentos para subsistência, hoje a perspectiva é aumentar a produção. A área degradada pela atividade pecuária vai lentamente se recuperando e o resultado fica evidente até aos olhares desatentos: nos lotes que já receberam os cuidados dos agricultores há árvores altas e diversos tipos de plantas, enquanto, muitas vezes ao lado, as áreas que não receberam o manejo são um pasto alto.

Katya Isaguirre, professora de direito ambiental e agrário da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que acompanha de perto o acampamento José Lutzenberger, por meio do grupo de pesquisa Ekoa, incentivou a comunidade a se inscrever no prêmio, junto com outro grupo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. “É evidente que a agrofloresta revive a natureza e o exemplo demonstra visivelmente como a paisagem se recupera ao tempo em que os agricultores produzem alimentos saudáveis que lhes garante condições de autonomia”, afirma.

No local é possível encontrar vários estágios de agroflorestas e são testadas diferentes técnicas de manejo e preparo do solo. O primeiro passo para a recuperação é fazer o “berço”, com plantas como hortaliças e banana. Com o tempo e o manejo adequado, os agricultores vão inserindo novas plantas de portes variados.

Jonas Souza ressalta que o sistema agroflorestal traz diversos benefícios. Além da recuperação e preservação da Mata Atlântica, as famílias camponesas passam a ter a geração de renda e a consumir alimentos de qualidade. “Também é beneficiado quem consome esse alimento livre de agrotóxico que, no caso, são principalmente as crianças das escolas municipais e estaduais”, opina.

Alimentação escolar sem agrotóxico

O acampamento, por meio da Associação Filhos da Terra, atende a quatro municípios pela rede estadual (Guaratuba, Morretes, Antonina e Pontal do Sul) e outros três (Matinhos, Antonina e Guaratuba) pela rede municipal de educação, por meio do PNAE. A cada semana são enviados para a rede estadual 1080 kg de tubérculos, 1545 kg de frutas, 390 kg de hortaliças e 45 kg de tempero, informa Ana Paula Rodrigues. A moradora explica que para a rede municipal a quantidade varia de acordo com a demanda da nutricionista escolar e, além dos alimentos in natura, também são enviadas geleias, doces e polpas de frutas. “Tudo produção agroecológica certificada”, destaca.

Jonas Souza diz que a expectativa para 2018 é criar uma cooperativa e participar de novas chamadas públicas. Até o fim deste ano, uma nova unidade deve ser finalizada, para processar os alimentos e ampliar a produção. No espaço atual, são descascados e embalados alimentos como mandioca, abóbora e palmito, e higienizados o restante dos outros produtos que chegam das hortas das famílias. Também são produzidas geleias e polpas de frutas.  “A produtividade está aumentado e é natural que isso acontece:  as famílias vão ganhando mais experiência na técnica, o mercado vai se abrindo para a produção da agroecologia e as agroflorestas começam a se recuperar e a crescer espécies novas”.

Paraná é destaque na produção de orgânicos

De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Abastecimento, o Paraná é o estado com maior número de propriedades rurais orgânicas certificadas, com mais de duas mil unidades.

Parte dos alimentos orgânicos produzidos no estado são comercializados pela Cooperativa Central da Reforma Agrária do Paraná (CCA-PR), que centraliza 17 cooperativas regionais e a produção de mais de 20 mil famílias nos 311 assentamentos paranaenses da reforma agrária. Os alimentos chegam até os consumidores de diversas formas e neste mês a CCA-PR lançou um site que facilita ainda mais a compra dos produtos para quem mora na capital Curitiba.

“O Paraná reúne experiências de bastante tempo na agroecologia e um exemplo disso é a Jornada de Agroecologia que já está em sua 16ª edição”, lembra Katya Isaguirre, se referindo a um dos maiores eventos nacionais de incentivo à agroecologia que aconteceu no final de setembro, na cidade da Lapa. “O trabalho da Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia (Aopa) é outro exemplo porque reúne grupos de agricultores familiares de Curitiba e região metropolitana para acessar programas como o PAA e PNAE e fazer vendas diretas e nas feiras”, completa.

Edição: Ednubia Ghisi

Fonte: Brasil de Fato

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O que a Microcefalia e as vacinas no período de gestação podem ter em comum?

Autor do estudo: Dr. Plínio Bezerra dos Santos Filho, PhD. Realizou estudo e assinou denúncia junto ao Ministério Público. Vale a pena conferir.

“Microcefalia em Pernambuco e Brasil. Acabo de fazer uma denúncia assinada junto ao Ministério Público Federal. Ver abaixo:

  1. Denúncia de Crime contra a população brasileira, uma sequência de erros e procedimentos grosseiros, realizados pelo Ministério da Saúde, SUS, seus institutos associados e suas autoridades constituídas, que provocaram e continuam provocando a atual crise de MICROCEFALIA (MC) em todo o Brasil. Análise mais detalhada e específica de dados e fatos referentes ao Estado de Pernambuco.

Autor: Dr. Plínio Bezerra dos Santos Filho, PhD
Pós-doutor pelas universidades americanas de Harvard, Washington University em St. Louis e North Carolina State University; Doutor pela Washington University em St. Louis; Mestre e Bacharel em Física pela UFPE; Áreas de atuação: Ressonância Magnética, com trabalhos em neurologia, próstata, Física do Estado Sólido, entre outros.

RESUMO DESTA DENÚNCIA

A crise de Microcefalia (MC) que surgiu no Estado de Pernambuco, com um pico máximo de casos em novembro de 2015, não se deve ao vírus ZIKV e nem é uma epidemia. Quatro fatos-causa principais existem e claramente explicam os dados, números de casos e períodos das notificações.

Os dados que aqui reporto e analiso estão sob o domínio público, na imprensa e Ministério da Saúde, podendo ser verificados. Não fui permitido acesso a dados mais completos e precisos oficiais, o que, ao meu ver, tornariam esta denúncia ainda mais evidente, por recuar o pico máximo da Microcefalia em Pernambuco para trás no tempo em um mês ou mais. Me atenho ao Estado de Pernambuco, em grande parte desta denúncia, pois é o que possui dados divulgados ao público de forma mais completa e também é o marco inicial da notificação compulsória da MC no Brasil.

Os 4 fatos-causa que explicam o comportamento temporal do gráfico que apresento são:

A) O pico máximo do número de casos em Pernambuco corresponde a um primeiro trimestre de gestação entre janeiro e abril de 2015 com nascimentos microcefálicos. Isso deve-se à vacinação de mulheres em período fértil contra o sarampo com a vacina tríplice, que contém o virus vivo da rubéola. No Ceará, esta vacinação contra o sarampo em mulheres no período fértil com a vacina tríplice continuou até meados de abril;

B) O alarmante número de casos, que começam a aparecer em agosto-outubro de 2015, provoca a compulsoriedade, pelo Ministério da Saúde, de notificação de Microcefalia em todo o país. A obrigatoriedade de notificação pelo Ministério da Saúde aumenta o pico e alarga a curva gráfica em torno do seu máximo;

C) A causa que provocou o pico máximo de casos de microcefalia em novembro de 2015, nos dados para Pernambuco, fica rarefeita e é substituída, na atualidade, por um outro fato-causa que embora presente nas notificações iniciais, era pouco evidente. Em novembro de 2014, o Ministério da Saúde inclui a vacinação contra Difiteria, Tétano e Pertussis no protocolo pré-natal de gestantes no último trimestre de gestação, a partir do sexto mês de gravidez.; e

D) O pico máximo de casos de Dengue no Estado de Pernambuco é entre 20 de março e 10 de abril de 2015 e isso requereria, por associação, desde que temos o mesmo mosquito vetor, um pico máximo no gráfico de Microcefalia entre final de dezembro e início de janeiro de 2016 e não em novembro de 2015 como tivemos. Isso, por si só, colocaria possíveis efeitos do ZIKV como causador de Microcefalia em importãncia menor e não como o principal causador da Microcefalia.

APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS GÁFICOS ANEXOS

É necessário lembrarmos que uma gravidez humana tem em média 9 meses.
O gráfico da Microcefalia em Pernambuco, notificação-a-notificação no tempo, mostra um evento com máximo em cerca de 20 novembro de 2015, curva VERMELHA; a totalidade dos casos notificados é apresentada na curva AZUL.
As curvas são baseadas em estatística muito simples, como as usadas para análise de epidemias. O número de casos é associado ao seu instante de notificação no tempo.

Três retângulos coloridos registram, no gráfico, regiões de interesse:

i) O retângulo vermelho, de 20 de setembro de 2015 a 18 de janeiro de 2016, marca a região da curva com notificações de Microcefalia em Pernambuco;

ii) Tomando-se o centro do retângulo vermelho e recuando todo este retângulo vermelho 9 meses no tempo, uma gestação, temos o retângulo violeta. O retângulo violeta corresponde à região no tempo de 1 de janeiro a 30 de abril de 2015. Um nascimento de microcefálico na curva do retângulo vermelho tem, necessariamente, um início de gestação no retângulo violeta, data em média 9 meses anterior;

iii) O retângulo amarelo, de 8 de novembro a 31 de dezembro de 2015, corresponde à vacinação contra sarampo em Pernambuco pelo SUS. Devido possivelmente à Copa do Mundo de Futebol, muitos estados e em sua maioria no Nordeste, apresentaram sarampo em forma quase epidêmica, entre 2013 e 2014;

iv) A curva vermelha e fina entre 15 de fevereiro e 30 de junho de 2015, com o seu máximo no início de abril, registra, para completude desta denúncia, a epidemia de Dengue em Pernambuco para 2015.

FATOS-CAUSAS, de A a D, acima:

A) VACINA TRÍPLICE: As chamadas públicas e oficiais para vacinação contra sarampo em Pernambuco, pelo Ministério da Saúde e SUS, foram de de 8 de novembro a 31 de dezembro de 2014. Isso foi devido às centenas de casos de sarampo em PE e CE.

No Ceará, a vacinação foi estendida até meados de abril de 2015 e inclusive com visitação para vacinação a domicílio. Nas chamadas oficiais, o convite é feito para a vacinação de mulheres em período fértil contra o sarampo. Se a mulher em período fértil engravidar em até 3 meses após a vacinação ou se estiver grávida, no início da gestação e não o souber, os efeitos do Rubella Virus da vacina tríplice são devastadores ao feto e são conhecidos há décadas. Problemas encefálicos, visuais ou cardíacos no feto/recém-nascido podem ser facimente encontrados na literatura deviso à rubéola.

O que atualmente se divulga como sendo ZIKV é facilmente associado à rubéola. E tivemos sim uma grande vacinação com a vacina tríplice em Pernambuco no final de 2014. Segundo o gráfico de Microcefalia para Pernambuco, Fig. 1, o máximo da curva corresponde e pode ser associado à vacina tríplice usada para o sarampo. A microcefalia é então o efeito colateral do componente de rubéola da vacina tríplice para Sarampo, Cachumba e Rubéola. Este erro é grotesco e houve.

É preciso, também, ter em mente que o vírus da rubéola provoca, quando não o aborto, a síndrome da rubéola congenita e a microcefalia é apenas uma manifestação da tríade clássica: microcefalia, catarata e surdez.

Ver a fala do secretário de saúde de Pernambuco na época:

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2014/11/08/interna_vidaurbana,541564/dia-d-de-campanha-de-vacinacao-contra-poliomielite-e-sarampo.shtml

Esta chamada foi feita pelas várias secretarias de saude pelo nordeste, sob recomendação do Ministério da Saúde.
Devido à vacina tríplice em mulheres no período fértil, os casos de Microcefalia vão continuar até nove meses depois do término desta vacinação, mais o período inicial de atuação desta vacina no corpo da jovem, o que nos dá um total efetivo de pelo menos 12 meses após a vacina ter sido tomada.

Como um outro fato exemplo, aqui está uma das chamadas para vacinação de sarampo no Ceará:
http://g1.globo.com/ceara/noticia/2015/04/ceara-ja-tem-100-casos-de-sarampo-confirmados-em-2015-segundo-sesa.html

OBSERVAÇÃO
Não é o caso de vacinação com a vacina tríplice em mulheres grávidas. Isso pode até ter acontecido, erro grosseiro, mas não acredito ter sido a norma. Eu me refiro às mulheres que engravidaram após se vacinarem.

Temos as nossas grandes festas culturais de final de ano de 2014 e o carnaval de 2015. Os gráficos apontam para inicio de gravidez entre janeiro a abril de 2015 em Pernambuco. E o efeito da vacinação de rubéola dura meses e estes estariam associados ao primeiro trimestre de gestação.

Também, não estou me referindo a vacinas vencidas ou contaminadas, neste caso da vacinação contra o sarampo com a tríplice. Afirmo que a vacinação foi efetiva e de grande alcance nos postos de saúde de Pernambuco.

A Microcefalia que se apresenta 9, 10, 11 ou 12 meses depois de uma jovem fértil ter sido vacinada com a tríplice é devido à componente da rubéola na vacina.

EXEMPLO
Por favor, notem este possível diálogo entre uma atendente em um posto de saúde e uma mulher jovem que foi tomar vacina de sarampo:
— Vim tomar a vacina de sarampo. Um conhecido meu está com sarampo.
Você está grávida?

— Não.

A sua carteira de vacinação… etc.

A jovem engravida nos próximos 3-4 meses e temos um percentual bem alto de casos de acometimento do sistema nervoso central do feto, devido a contaminação do feto no primeiro trimestre de gestação.
Nada mais claro do que isso para explicar como é que em Pernambuco a Microcefalia aparece com números descabidos em novembro de 2015, do litoral ao sertão, ao mesmo tempo.

A vacinação de sarampo foi oficialmente satisfatória no estado, segundo a Secretaria de Saúde Estadual.

A explosão da Microcefalia em Pernambuco provoca o próximo fato-caso:

B), abaixo.
B) NOTIFICAÇÃO COMPUSÓRIA: O alarmante número de casos, que começam a aparecer em agosto-outubro de 2015, provoca a compulsoriedade, pelo Ministério da Saúde, de notificação de Microcefalia em todo o país. A obrigatoriedade de notificação aumenta o pico máximo da curva no gráfico e a alarga em torno do seu pico para Pernambuco.

Aqui em Pernambuco existiam obstáculos consideráveis, mesmo para médicos, para se aprofundar nos dados de microcefalia existentes na Secretaria Estadual de Saúde. A SES recebia a Declaração de Nascido Vivo (DNV) de todo estado para digitalizar e assim centralizava os dados. Acontece que a DNV não contém o dado antropométrico de perimetro cefálico, somente peso ao nascer, idade gestacional e Índice de Apgar.

A notificação de defeito congenito (incluindo microcefalia) ficava dependente da observação do declarante (em geral um pediatra). Portanto, a única forma fiel de acessar dados sobre microcefalia era fazer uma busca ativa nos registros das maternidades.

Provavelmente devido a isso, o Ministério da Saúde torna compulsória a notificação de casos de microcefalia em todo o Brasil no final de outubro de 2015. Mas, não está claro neste momento se todos os estados notificam a totalidade dos seus casos.

C) VACINA DTP APÓS SEXTO MÊS DE GESTAÇÃO: Não fosse o “erro” operacional devido à vacinação de jovens no período fértil contra sarampo no Nordeste, dificilmente saberiamos do efeito da vacina DTP que está provocando Microcefalia em todo o Brasil presentemente.

Em novembro de 2014, o Ministério da Saúde inclui a vacina dTpa contra Difiteria, Tétano e Pertussis no protocolo pré-natal de gestantes no último trimestre de gestação, i. e., a partir do sexto mês de gravidez. A causa que provocou o pico máximo de casos de microcefalia em novembro de 2015, em Pernambuco, fica rarefeita e é substituída, na atualidade, por este outro fato-causa que embora presente nas notificações iniciais, era pouco evidente.

Em 2014, grande divulgação pública foi feita quanto à utização da vacina dTpa (o a significa acelular) como parte do protocolo pré-natal nacional de gestantes. Foi veiculado um acordo entre o MS-SUS para repasse da tecnologia de fabricação da dTpa no Brasil, com o apoio técnico do laboratório GlaxoSmithKline Pharmaceuticals (GSK).

O instituto Butantan, que só produzia e ainda produz a DTP ou DTPw (com bactéria viva Bordetella Pertussis, da coqueluche atenuada) para o programa nacional de imunização, passaria a produzir a vacina sem a bactéria viva a vacina dTpa, usada no primeiro mundo.

A vacina DTP deixou de ser fabricada pela maior parte das indústrias farmaceuticas do mundo. O SUS ainda usa a DTP para vacinar as crianças de 2 meses a 7 anos. Foi também anunciado, em 2014, que o Ministério da Saúde adquirira a dTpa no mercado internacional, 4 milhões de doses, ao custo de R$ 87,2 milhões, que cobririam as 2,9 milhões de gestantes e adultos em 2015, mas que progressivamente substituiria a DTP pela dTpa para todos.

http://www.blog.saude.gov.br/34736-ministerio-da-saude-disponibiliza-no-sus-vacina-contra-coqueluche-para-gestantes.html

O problema com a vacina DTP ou DTPw (atenuada), que parou de ser usada nos EUA em 1995, é que ela causa, entre outras patologias, a microcefalia. É aqui que aparece o problema:

a) em meados de 2015, o Ministério da Saúde anuncia que não consegue comprar a dTpa no mercado internacional, pois está em “falta” e anuncia a sua troca pela vacina penta-valente, fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan.

Isso é bastante estranho, pois na rede privada de saúde do Brasil, uma gestante pode tomar, pagando, a dTpa que não se encontra em falta.

Pergunto onde foram parar as 4 milnões de doses de dTpa para as gestantes e pessoal de saúde e que seriam usadas em 2015?

Por que em 2105 toda e qualquer menção ao acordo de transferência de tecnologia para a produção de dTpa com a GSK somem no Brasil?

Também, a própria vacina dTpa não é recomendada para uso em gestantes pelos laboratórios que as fabricam, e isso está escrito nas bulas destas vacinas.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2015/10/30/interna_cidadesdf,504482/tres-tipos-de-vacinas-estao-com-estoque-zerado-no-df.shtml

D) O ZIKV: Uma causa e efeito devido ao ZIKV, necessariamente, acompanharia a epidemia causada pelo mosquito vetor. Não é o que a curva AZUL, Fig. 2, apresenta.

Neste momento, e desde após o pico em Pernambuco, a curva tende a uma constante de casos por dia, o que requer, em qualquer estudo de epidemias, uma causa diária constante de contaminação.

O mosquito vetor, Aedes Aegypti, é o mesmo para Febre Amarela, Dengue, Chikungunya e ZIKV. É razoável considerar, ao menos em primeira ordem, que o período de uma epidemia de dengue estaria associada a uma epidemia de ZIKV no tempo. É o mesmo mosquito. O período de incubação da dengue no homem varia de 4 a 10 dias, sendo em média de 5 a 6 dias; após este período surgem os sintomas de dengue; para o ZIKV isso está em estudo no momento. Mas o número de casos por dia é muito alto e se apresenta como uma constante, uma média de 15 casos dia desde o final de novembro de 2015.

A causa de efeito constante, os casos de microcefalia, requer uma contaminação constante. A VACINA DTP, a versão usada pelo MS-SUS é esta causa, pois todas as grávidas devem se vacinar após o sexto mês de gestação. Temos aqui uma constante que não existia antes de novembro de 2014 e isso explica o porque de todo o Brasil est´å apresentando casos de microcefalia.

Para ZIKV a curva estaria aumentando, acompanhando o aumento do aedes, como temos na propaganda oficial massiça neste momento. Mas o comportamento do gráfico requer uma causa CONSTANTE! A dengue em Pernambuco foi entre 15 de fevereiro ao final de abril. Isso significaria, se fosse o ZIKV, que é o mesmo aedes da dengue, uma grande contaminação neste período. Acontece que isso deslocaria a curva da microcefalia para meados de janeiro de 2016 e esta não seria em novembro de 2015!

O pico da dengue que está em 15 de abril, provocaria uma região de casos centrados em 15 de janeiro como temos aqui!

Dengue em PE 2015
http://www.coren-pe.gov.br/novo/wp-content/uploads/2015/09/Informe-epidemiol%C3%B3gico-Dengue-SE-01-a-34-1-1.pdf

Questiono, também, um dos marcadores usados para a identificação do ZIKV, o IgG, que aparece em contaminações pela rubéola/rubella, o que o torna inespecífico, exigindo, assim, uma procura pelo DNA do ZIKV, ou um marcador específico e único, para validar os testes de presença do ZIKV nas amostras provenientes de bebês com microcefalia.

CONCLUSÃO
Pelo que demonstro, as causas que provocaram e provocam o grande número de casos de microcefalia em Pernambuco estão associadas a 2 vacinas:

a) a vacina tríplice erroneamente administrada a jovens no período fértil e b) a vacina usada para coqueluche no Brasil pelo MS-SUS. Pernambuco teve, acredito, 60 municípios com sarampo em 2014. Foi recomendação oficial da Secretaria de Saúde do estado de Pernambuco que a vacinação de sarampo fosse feita em toda a população vunerável nestes municípios e em quem teve algum contato com os acometidos nestes municípios. Só esta constatação explica porque a microcefalia aparece por todo o estado de Pernambuco ao mesmo tempo. Mas isso é somente o pico máximo inicial da curva de microcefalia para PE. A largura do pico tem a ver com a notificação se tornar compusória. As notificações atuais não mais tem a ver com a vacina tríplice. O estado atual de 15 casos por dia de microcefalia em Pernambuco está relacionado com a vacina DTP, DTPw (e suas outras siglas) para difiteria, tétano e pertussis, administrada a “todas” as grávidas a partir do sexto mês de gravidez.

RECOMENDAÇÕES

Parar toda e qualquer vacinação de grávidas ou jovens no período fértil em todo o Brasil!
É muito fácil verificar o que apresento aqui:
1) Basta analisar as carteiras de vacinação das mães com crianças com microcefalia, por exemplo;
2) Fazer o cruzamento dos dados do posto de vacinação municipal, nos 60 municipios de PE com a ocorrência de microcefalia com a vacinação de sarampo;

3) Com dados oficiais completos, todo e qualquer estado da federação pode ter curvas de causa-efeito plotadas para microcefalia;

4) Apurar as responsabilidades de todas as instituições e suas autoridades, nas pessoas dos seus representantes contituídos, pelos erros e procedimentos que estão provocando este grande número de casos de microcefalia em todo o País; e

5) Acabar com esta aparente farça que pretende singularizar o ZIKV pelos casos de microcefalia no País, quando temos duas causas gritantes que explicam o porque da quantodade absurda de casos de microcefalia no Brasil.
OBSERVAÇÃO FINAL

Me coloco à disposição do MPF para maiores esclarecimentos e para a transferência da grande quantidade de documentos, matérias e artigos científicos que pesquisei, para auxiliar as investigações.”

Dr. Plínio Bezerra dos Santos Filho.
22 de janeiro de 2016.

 

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Corredor ecológico não salva espécies do aquecimento global

“As mudanças climáticas representam um grande obstáculo a espécies que estão ameaçadas pela perda de habitat, mesmo quando submetidas a consagradas medidas de conservação, como corredores ecológicos, reforço da vegetação nativa e gerenciamento de áreas protegidas. As indicações são de um estudo publicado nesta segunda-feira (9) na revista científica Nature Climate Change.

De acordo com o biólogo Michael Kuttner, da Universidade de Viena, na Áustria, e um dos autores do estudo, todo o esforço de conservação pode ter efeito nulo diante das alterações causadas pelo aquecimento global. “As mudanças do clima transformam a atmosfera em um ritmo que as espécies não acompanham.”

Para chegar a essa conclusão, Kuttner e um grupo de cientistas austríacos criaram um modelo que mediu os esforços de conservação no comportamento de 51 espécies de plantas, borboletas e gafanhoto comuns na Europa Central. Eles avaliaram a perda de alcance regional e o risco de extinção nas condições climáticas atuais e em dois cenários de mudanças climáticas.

Eles também aplicaram três níveis de esforços de conservação: baixo, médio e alto. Resultado: esforços de conservação no nível mais elevado não foram suficientes para compensar a perda média induzida pela mudança climática em nenhuma das espécies. Quanto mais alto o cenário de aquecimento da Terra, pior para a biodiversidade analisada.

A situação mais foi crítica em espécies de vida curta, como borboletas e gafanhotos. “Animais que vivem pouco costumam ter um alto grau de especialização ecológica, o que torna a situação ainda mais complicada”, afirma Kuttner. “Uma frequência crescente de anos desfavoráveis, portanto, aumenta o risco de extinção local, especialmente em animais.”

O pesquisador reforçou que as medidas de conservação são essenciais para atenuar os efeitos negativos do aquecimento climático, mas alertou que elas não fazem milagre. “A eficiência é limitada. E modificar os habitats pode gerar consequências negativas imprevisíveis. O mais importante não é avançar com corredores, mas conter as emissões de gases de efeito estufa”. A biodiversidade é sensível e algumas espécies têm uma capacidade adaptativa pequena, segundo o diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, Fabio Scarano. “Podemos perder parte das espécies sem que as conheçamos profundamente”, diz Scarano, que também é professor do departamento de Biologia da Universidade Fderal do Rio de Janeiro e foi coautor do último relatório do IPCC, o painel do clima da ONU.”

http://www.observatoriodoclima.eco.br/corredor-ecologico-nao-salva-especies-aquecimento-global/

Via: Observatório do Clima

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